Dor crônica
11 de março de 2025
Dor crônica

O que é dor?
Para entendermos um pouco sobre a dor crônica, vamos entender um conceito importante que é o que seria a dor, ou seja, sua definição. De acordo com a Sociedade Brasileira de Estudo da Dor (SBED), “Dor é uma experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou relacionada a lesão real ou potencial dos tecidos.”
E por que sentimos dor?
A dor serve para nos protegermos, ou seja, é um mecanismo de defesa do nosso organismo. Aquela sensação desagradável serve como um alerta, para o nosso corpo de que algo está errado. Mas em um desequilíbrio do nosso organismo, esta dor pode ser interpretada de maneira incorreta e persistir em nossa vida sem que realmente haja um problema ali. É como se fosse um defeito no nosso corpo.
O que é a dor crônica?
É aquela dor que persiste por mais de 3 meses (em algumas literaturas 6 meses). Ela pode ser nociceptiva (lesão de tecido), neuropática (lesão de algum nervo) ou não ser relacionada a algo específico.
Por que a dor crônica atrapalha nossa vida?
Uma dor persistente irá gerar diversos outros problemas como ansiedade, alterações no sono, depressão, baixa produtividade, alterações no humor, problemas no convívio social e até medo de movimento (cinesiofobia). Quando entramos neste ciclo de doenças, é mais difícil ainda de sairmos. Muitas vezes até nos esquecemos do que originou aquele ciclo e nem sabemos de onde surgiu estímulo para provocar tantos problemas.
Como tratamos a dor?
Para tratarmos a dor crônica, precisamos agir em tudo o que afeta este ciclo de problemas que citamos no tópico anterior e com isso tentar aumentar o nosso limiar da dor (quanto menor o limiar, mais a pessoa é sensível a estímulos e). Uma pessoa com baixo limiar, pode sentir dor pelo simples fato de a tocarem. Podemos perceber que este tipo de tratamento é personalizado e vai muito além de medicamentos, tais como:
- Exercício físico: estudos mostram que atividades físicas podem ser dolorosas nas primeiras 3 semanas, mas após, há melhora significativa.
- Melhora na qualidade do sono: higiene do sono e exposição ao sol (desde que de maneira controlada) ajudam a melhorar nosso ciclo circadiano, ciclo que regula quando devemos estar mais despertos e dispostos e quando devemos ter sono e dormir.
- Convívio social: socializar gera sentimentos de prazer e tira o foco da dor do nosso cérebro, o que pode contribuir para amenizar o problema.
Porém, muitos medicamentos devem e podem ser utilizados para auxiliar neste processo, principalmente quando a dor é causada por um dano tecidual. Medicamentos como a Pregabalina, a Gabapentina e a Duloxetina podem contribuir aumentando nosso limiar da dor, o que pode levar à melhora, diminuindo a excitabilidade daqueles neurônios que tendem a aumentar o nosso estímulo doloroso ao transmiti-lo para nosso cérebro.
Tratamentos novos
Alguns tratamentos ainda não são padronizados, porém já possuem estudos que demonstram sua eficáciaa e podem ser uma opção em pacientes que não melhoraram com os padronizados. O uso de óleo de canabidiol é um destes tratamentos. Uma metanálise de J. Aviram de 2017 sugere que os canabinoides podem ser eficazes para tratamento de dor crônica, principalmente para pacientes com dor do tipo neuropática.
Dr. Breno Roberto Meira
Médico ortopedista e traumatologista
CRM 202352

“Não deixe o cuidado com a saúde mental passar em branco.” O que é o Janeiro Branco? Janeiro Branco é uma campanha dedicada à conscientização sobre a importância da saúde mental. O mês de janeiro foi escolhido por simbolizar recomeços, novos planos e a possibilidade de escrever uma nova história assim como uma folha em branco. Trata-se de uma campanha que chama a atenção para um tema essencial, mas ainda cercado de preconceitos: a saúde mental. Em um mundo cada vez mais acelerado, cuidar da mente deixou de ser um luxo e passou a ser uma necessidade. Ansiedade, estresse, depressão e esgotamento emocional fazem parte da realidade de milhões de pessoas e impactam diretamente a qualidade de vida, os relacionamentos e o desempenho profissional. Ainda assim, falar sobre sofrimento emocional nem sempre é fácil. A saúde mental está relacionada à forma como lidamos com nossas emoções, desafios e frustrações do dia a dia. Quando negligenciada, pode desencadear problemas físicos, dificuldades sociais e até afastamento do trabalho. Por isso, o janeiro Branco propõe uma reflexão coletiva: como estamos cuidando de nós mesmos? Buscar ajuda psicológica, conversar abertamente sobre sentimentos e reconhecer os próprios limites são atitudes fundamentais para a prevenção de transtornos mentais. O autocuidado também envolve hábitos simples, como manter uma rotina equilibrada, dormir bem, praticar atividades físicas e reservar momentos de lazer e descanso. Mais do que um alerta pontual, o janeiro Branco reforça que a saúde mental deve ser prioridade durante todo o ano. Falar sobre o tema é um passo importante para quebrar tabus, promover empatia e construir uma sociedade emocionalmente mais saudável. Em 2026, o janeiro Branco propõe o tema “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental.” O mundo está exausto de pressões, urgências e silêncios. Precisamos recuperar o centro, reconstruir vínculos e resgatar a serenidade que sustenta a vida. Quando a mente encontra paz, tudo ao redor respira melhor inclusive nossas instituições, territórios e relações sociais, tão impactadas pelas urgentes necessidades psicossociais humanas. Em 2026, o janeiro Branco convida o mundo a desacelerar e a ressignificar a relação com a saúde mental. Cuidar da mente é um compromisso contínuo e todo recomeço é uma boa oportunidade para isso. Algumas dicas de como cuidar da saúde mental: Adote uma alimentação saudável; Invista na qualidade do sono; Faça terapia com um profissional; Pratique atividades físicas; Exercite o amor próprio. Tenha momentos de lazer; “Cuidar da mente é um ato de coragem.” Texto: Fernanda Tarcila Dragueti Cordeiro CRP: 06/153986. Formação: Especialista em Saúde Mental e atenção Psicossocial. Psicóloga clínica, utiliza a abordagem Teoria Cognitiva Comportamental (TCC)

O que é a hanseníase? É uma doença causada por uma bactéria que atinge principalmente a pele e os nervos, podendo causar manchas, dormência e, se não tratada, limitações físicas. Importante: a hanseníase tem cura e o tratamento é gratuito e disponível pelo SUS. Principais sinais e sintomas Manchas claras e ou placas avermelhadas ou escuras na pele, com alteração de sensibilidade ao calor, frio dor ou toque. Comprometimento dos nervos periféricos– geralmente espessamento (engrossamento), associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas; Áreas com diminuição dos pelos e do suor; Sensação de formigamento e/ou fisgadas, principalmente nas mãos e nos pés; Diminuição ou ausência da sensibilidade e/ou da força muscular na face, e/ou nas mãos e/ou nos pés; Caroços (nódulos) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos. Como ocorre a transmissão? A transmissão ocorre quando uma pessoa com hanseníase, na forma infectante da doença, sem tratamento, elimina o bacilo infectando outras pessoas suscetíveis, ou seja, com maior probabilidade de adoecer. A forma de eliminação do bacilo pelo doente são as vias aéreas superiores (por meio do espirro, tosse ou fala), e não pelos objetos utilizados pelo paciente. Também é necessário um contato próximo e prolongado. Os doentes com poucos bacilos – paucibacilares (PB) – não são considerados importantes fontes de transmissão da doença, devido à baixa carga bacilar. Não se transmite a hanseníase pelo abraço, compartilhamentos de pratos, talheres, roupas de cama e outros objetos. Já as pessoas com muitos bacilos – multibacilares (MB) – constituem o grupo contagiante, mantendo-se como fonte de infecção enquanto o tratamento específico não for iniciado. A hanseníase apresenta longo período de incubação, ou seja, o tempo em que os sinais e sintomas se manifestam desde a infecção. Geralmente, esse período dura em média de dois a sete anos; porém, há referências a períodos inferiores a dois e superiores a dez anos. Tratamento e cura O tratamento medicamentoso é realizado de 6 meses a 1 ano com a associação de três antimicrobianos - rifampicina, dapsona e clofazimina – a qual denominamos de Poliquimioterapia Única (PQT-U). Os medicamentos são seguros e eficazes. Ainda no início do tratamento, a doença deixa de ser transmitida. Familiares, colegas de trabalho e amigos, além de apoiar o tratamento, também devem ser examinados. Combater a hanseníase também é combater o preconceito A desinformação gera medo e discriminação. Pessoas em tratamento podem trabalhar, estudar e conviver normalmente. Informação é a melhor forma de cuidado e respeito. O diagnóstico precoce evita complicações e melhora a qualidade de vida. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure atendimento de saúde. Referência: Hanseníase — Ministério da Saúde

Você já parou para pensar que a comida que colocamos no prato pode mudar a nossa saúde, disposição e até o nosso humor? Alimentar-se bem não precisa ser complicado nem caro. O segredo está em escolher comida de verdade, feita em casa, com carinho e atenção. O que é comida de verdade? Comida de verdade é aquela que vem da natureza: frutas, legumes, verduras, arroz, feijão, carnes, ovos, raízes como batata e mandioca. São alimentos simples, frescos e que não passaram por muitas etapas de fábrica. Eles são ricos em nutrientes e ajudam o corpo a funcionar bem. Evite os ultraprocessados — aqueles produtos prontos, cheios de corantes, conservantes, açúcar e gordura. Comer um biscoito ou uma fatia de pizza congelada de vez em quando não faz mal, mas não dá para viver só disso. Eles enganam o corpo, aumentam a vontade de comer mais e podem favorecer o surgimento de doenças como a obesidade e outras decorrentes dela, diabetes, pressão alta, alterações nos níveis de colesterol, triglicérides e outras doenças crônicas. Como montar um prato saudável? Um prato saudável é colorido e equilibrado. Aqui vai uma dica fácil: • Metade do prato: legumes e verduras variados (quanto mais cor, melhor!) • Um quarto: arroz, batata, mandioca ou outro alimento que dá energia • Um quarto: carne, frango, peixe, ovo ou feijão, lentilha, ervilha que são fontes de proteína • E se tiver uma fruta depois, melhor ainda! Coma com atenção e escute seu corpo Comer não é só colocar comida na boca. É um momento de cuidado. Sente-se à mesa, coma devagar, mastigue bem e preste atenção nos sinais do corpo. Está com fome mesmo ou é só vontade de beliscar? Já está satisfeito ou está comendo por impulso? Aprender a ouvir o corpo ajuda a evitar exageros e melhora a relação com a comida. Valorize a comida feita em casa Comida caseira tem sabor, afeto e saúde. Quando você prepara sua refeição, escolhe os ingredientes, controla o sal, o óleo e evita exageros. Além disso, cozinhar pode ser um momento de união com a família. Se for comer fora, procure lugares que ofereçam pratos equilibrados. Evite frituras e doces em excesso. E sempre que puder, valorize os alimentos da sua região — são mais frescos e acessíveis. Cuidado com modas e dietas milagrosas Desconfie de promessas rápidas. Dietas da moda e produtos “milagrosos” podem prejudicar sua saúde. O melhor caminho é o equilíbrio e a variedade. Não existe um alimento que cura tudo, mas existe uma alimentação que cuida de você todos os dias. Comer bem é um ato de amor Alimentar-se bem é cuidar de si mesmo. Não precisa ser perfeito, nem seguir regras rígidas, basta fazer boas escolhas na maior parte do tempo, respeitar seu corpo e aproveitar o momento da refeição. Bom apetite — com saúde, sabor e consciência! Fabiana de Aro Nutricionista - CRN nº 47476

O que é o setembro amarelo: Setembro Amarelo é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, realizada anualmente durante o mês de setembro. O principal objetivo é conscientizar a população sobre a importância de cuidar da saúde mental, quebrar tabus relacionados ao suicídio e incentivar as pessoas a procurarem ajuda quando necessário. Com identificar quem precisa de ajuda: Identificar os sinais de que alguém pode estar cogitando o suicídio é crucial para proporcionar apoio oportuno. Normalmente, esses sinais aparecem de maneira emocional, comportamental e física. A seguir, apresentamos um resumo dos principais sinais em cada uma dessas categorias: Sinais Emocionais: • Profunda e contínua tristeza • Falta de esperança (“nada vai mudar”) • Autoestima reduzida • Sentimento de inutilidade • Preocupação constante • Culpa intensa • Isolamento social ( Sentir-se solitário mesmo na companhia de outros) • Choro frequente • Angustia Sinais Comportamentais: • Afastamento social ( distância de amigos familiares, escola trabalho) • Alterações no comportamento (Agressividade) • Negligencia com a higiene pessoal e aparência • Expressões como: “Eu gostaria de desaparecer” ; “Nada parece ter valor” ; “Eu não precisava existir mais “ • Consumo excessivo de álcool ou drogas • Despedidas estranhas (como escrever cartas mensagens) Sinais Físicos: • Alterações no sono (insônia ou sono excessivo) • Mudanças no apetite e no peso • Cansaço constante ou falta de energia • Dores físicas sem causa aparente (como dor de cabeça, estômago, tensão muscular) • Agravamento de doenças já existentes • Automutilação (cortes, queimaduras ou outras formas de autolesão) Sinais de alerta incluem: Os indicativos de alerta nem sempre são evidentes e podem diferir entre indivíduos eles servem apenas como indicativos não como um diagnostico definitivo, podendo até não estar aparentes e não sinalizarem necessariamente um risco de suicídio. No entanto, devido a sua ligação frequente com o perfil, é importante que sejam monitorados e reconhecidos. Certas pessoas expressam suas intenções abertamente, enquanto outras escondem seus pensamentos de suicídio e emoções. • Sente-se sem esperança, sem enxergar valor nas coisas da vida, agitado, socialmente isolado ou solitário; • Experimentou um evento de vida estressante, como a perda de um ente querido, uma ruptura ou problemas financeiros ou legais; • Ter um problema de abuso de substâncias – abuso de álcool e drogas pode piorar os pensamentos de suicídio e fazer você se sentir imprudente ou impulsivo o suficiente para agir em seus pensamentos; • Atrela pensamentos suicidas e acesso a armas de fogo ou outros meios letais em sua casa ou locais que frequenta; • Ter um transtorno psiquiátrico subjacente, como depressão grave, transtorno de estresse pós-traumático ou transtorno bipolar; • Ter um histórico familiar de transtornos mentais, abuso de substâncias, suicídios ou violência, incluindo abuso físico ou sexual; • Ter uma condição médica que pode estar ligada à depressão e ao pensamento suicida, como doenças crônicas, dor crônica ou doença terminal; • Ter tentado o suicídio anteriormente, ainda que de forma menos letal ou mesmo quando foi apenas para chamar a atenção para um sofrimento. Como ajudar, ao perceber esses indícios: • Ouça com atenção e empatia (Sem julgamentos) • Mostre solidariedade e compreensão • Buscar ajuda de um profissional (Psicólogo, psiquiatra, CAPS). • Se colocar à disposição para ir junto nas consultas. O que notamos com os atendimentos e o passar do tempo é que os indivíduos não expressam suas emoções, por causa de um sentimento de vergonha, e na solidão, acabam optando por escolhas que visam eliminar a dor. Setembro Amarelo serve como um lembrete da importância da vida e de que todos nós podemos contribuir para a prevenção do suicídio. Oferecer suporte, discutir abertamente sobre o assunto, e buscar ajuda são fundamentais para salvar vidas. Se você ou alguém ao seu redor está passando por um período complicado não hesite em buscar suporte. Sua vida tem valor, e sempre há esperança, mesmo nos momentos de grandes desafios. Neste SETEMBRO AMARELO, vamos juntos disseminar a mensagem de que conversar é a solução mais eficaz e eu ninguém precisa enfrentar isso sozinho. 💛 Ressalta-se a extrema importância em cuidar da saúde mental. Em situações de emergência, contate o número 188 (CVV – atendimento gratuito e confidencial). T exto: Fernanda Tarcila Dragueti Cordeiro CRP: 06/153986. Formação: Especialista em Saúde Mental e atenção Psicossocial. Psicóloga clínica, utiliza a abordagem Teoria Cognitiva Comportamental (TCC).

A cirurgia bariátrica, que é como chamamos o tratamento cirúrgico para a obesidade, já se demonstrou um método muito seguro e altamente eficaz no controle da obesidade e das doenças que advêm desta condição. Assim como a obesidade, o número de cirurgias bariátricas também tem aumentado bastante no Brasil, mas evidentemente, o procedimento cirúrgico não deve ser indicado para todo mundo que está acima do peso ou que quer emagrecer. A ideia da cirurgia é fazer com que os pacientes obesos fiquem mais saudáveis, porque já se sabe que os riscos de alguns tipos de câncer e de algumas doenças são mais comuns nos pacientes que têm um elevado IMC (Índice de Massa Corpórea). Faz mais de 20 anos que iniciei os trabalhos nesta área nos hospitais públicos e posteriormente na medicina privada em São Paulo e há pouco mais de seis anos estou em Bauru, atendendo exclusivamente os pacientes na medicina privada. O que eu posso dizer sobre a evolução do tratamento cirúrgico durante todo este período é o seguinte: Os métodos cirúrgicos ficaram mais seguros e rápidos com o advento da laparoscopia, houve uma ampliação e flexibilização das regras para indicação cirúrgica e muito mais pacientes tiveram acesso à cirurgia, inclusive no SUS, o que é muito positivo. O grande problema é que com isso houve certa banalização da cirurgia por parte dos pacientes e, infelizmente, também de alguns profissionais da área. Mas o pior mesmo é que muitos pacientes simplesmente deixam de fazer o seguimento adequado no pós-operatório, especialmente quando já se sentem satisfeitos com a perda de peso adquirida, estão de bem com o espelho, com a balança e com o seu guarda-roupa. Todo mundo quer operar, mas muitas vezes, sem se dar conta de que se trata de um tratamento definitivo, ou seja, que não dá para se arrepender depois e pedir para desfazer a cirurgia. Quando se faz uma cirurgia bariátrica, o paciente assume mudanças de comportamento alimentar e de hábitos para o resto da vida, sendo imprescindível a realização de atividade física e do acompanhamento regular pela equipe multidisciplinar (cirurgião do aparelho digestivo, endocrinologista, psicólogo e nutricionista). Em alguns casos, como naqueles em que o paciente é submetido às cirurgias do tipo disabsortivas como o bypass, será necessário o uso de suplementação vitamínica para sempre. Em outros, o excesso de pele poderá exigir uma cirurgia plástica reparadora. A mulher em idade fértil deve ter em mente que não poderá engravidar nos próximos 18 meses depois da cirurgia, o que também é um detalhe importantíssimo no seu planejamento familiar. Apesar dessa cirurgia ser bastante segura, existem os riscos de complicações como em qualquer procedimento cirúrgico e, inclusive, o risco de morte, ainda que muitíssimo pequeno. Também deve ser observado que, se o paciente não seguir as recomendações da equipe multidisciplinar e adquirir hábitos que são incompatíveis com uma vida saudável, poderá acontecer o que chamamos de reganho de peso, que é quando o paciente volta a engordar depois de um tempo inicial de sucesso. Sabe aquela pessoa que você ficou sabendo que fez cirurgia bariátrica, emagreceu bastante, mas agora está com aquela carinha de doente e com um aspecto envelhecido para a sua idade? Pois bem, provavelmente trata-se de um paciente que não faz o acompanhamento multidisciplinar, não faz dieta adequada, não faz os exercícios físicos e não toma as vitaminas (que são prescritas depois de alguns tipos de cirurgia). Sou um grande entusiasta do tratamento cirúrgico para a obesidade por causa dos excelentes resultados, mas especialmente, porque eu sei muito bem o quanto é difícil ser obeso, acredite! Mas pense muito bem se tudo isso cabe, de fato, na sua vida antes de marcar a cirurgia e para ajudar na decisão, faça um pré-operatório adequado e completo, procurando profissionais capacitados e comprometidos com o resultado ao longo prazo. Tenha em mente que a cirurgia é apenas uma parte do tratamento e que apenas este procedimento não resolverá o seu problema e, por último, tire todas as suas dúvidas e se informe bastante sobre os riscos e sobre as transformações que acontecerão no seu corpo e na sua vida para sempre. Pacientes elegíveis à cirurgia • Pacientes com o IMC acima de 40 ou IMC entre 35 e 40 quando o paciente sofre das doenças associadas à obesidade, o que comumente chamamos de comorbidades e que classicamente são o diabetes tipo 2, apneia do sono, hipertensão arterial, dislipidemia, doença coronariana e as osteoartrites. • O Conselho Federal de Medicina (CFM) em uma resolução em 2015 determinou a inclusão de outras doenças nesta lista: doenças cardiovasculares, asma grave não controlada, osteoartroses, hérnias discais, refluxo gastroesofágico com indicação cirúrgica, colecistopatia calculosa, pancreatites agudas de repetição, esteatose hepática, incontinência urinária de esforço na mulher, infertilidade masculina e feminina, disfunção erétil, síndrome dos ovários policísticos, veias varicosas e doença hemorroidária, hipertensão intracraniana idiopática, estigmatização social e depressão. • Em dezembro de 2017 o CFM ampliou as indicações para os pacientes diabéticos que possuem IMC entre 30 e 35, desde que haja insucesso no tratamento clínico, que o paciente tenha entre 30 e 70 anos e que o diagnóstico de diabetes tenha sido feito há menos 10 anos. Você sabia? Que mais de 70% dos pacientes que se submetem à cirurgia para o tratamento da obesidade são mulheres? E porque isso acontece? Será que as mulheres estariam mais obesas do que os homens? Definitivamente não, o que ocorre, na verdade, é que é muito mais complicado ser uma mulher obesa, do que um homem obeso na nossa sociedade e, infelizmente, parece que é isso o que tem levado mais mulheres a fazer esta cirurgia e não a busca por mais saúde. Texto por Dr. Paulo Pitelli Cirurgia do Aparelho Digestivo CRM: 918373

Síndrome metabólica é uma doença da civilização moderna, associada à obesidade, como resultado da alimentação inadequada e do sedentarismo. Reconhecida como uma entidade complexa que associa fatores de risco cardiovasculares bem estabelecidos, como hipertensão arterial, hipercolesterolemia, e diabetes, entre outros, com a deposição de gordura abdominal e a resistência à insulina. A Síndrome Metabólica já ganha a dimensão como um dos principais desafios da prática clínica. O diagnóstico leva em conta as características clínicas (presença dos fatores de risco) e dados laboratoriais. Basta a associação de três dos fatores abaixo relacionados para diagnosticar a síndrome metabólica: • Obesidade central: circunferência da cintura maior que 88 cm na mulher e 102 cm no homem; • Hipertensão Arterial: pressão arterial sistólica maior que 130 e/ou pressão arterial diastólica maior 85 mmHg; • Glicemia de jejum alterada (glicemia maior que 100 mg/dl) ou diagnóstico de Diabetes; • Triglicérides maior 150 mg/dl; • HDL colesterol menor 40 mg/dl em homens e menor que 50 mg/dl em mulheres; A correção do excesso de peso, do sedentarismo e de uma alimentação inadequada são medidas obrigatórias no tratamento da Síndrome Metabólica. A adoção de uma dieta balanceada é uma das principais medidas que deve ser individualizada para a necessidade de cada paciente. A dieta deve estar direcionada para a perda de peso e da gordura visceral, com o objetivo de normalização dos níveis da pressão arterial, da correção das dislipidemias e da hiperglicemia e consequentemente a redução do risco cardiovascular. A atividade física deve também ser enfaticamente estimulada, sempre adequada à faixa etária e ao condicionamento físico de cada indivíduo. A prática de exercícios moderados, 30-40 minutos por dia, está sem dúvida associada ao benefício cardiovascular. Atividades físicas mais intensas são em geral necessárias para induzir maior perda de peso, mas nesse caso, tanto para o tipo como para a intensidade do exercício, os pacientes devem ser avaliados de forma individualizada, e eventualmente, com prévia avaliação cardiovascular. Muitas vezes, para tratar hipertensão arterial, dislipidemia, hipertrigliceridemia, o aumento da glicemia e o excesso de peso, será necessário o uso de medicamentos com acompanhamento médico. Deve-se conversar com seu médico para saber qual é a melhor opção para você. O recomendado é passar por avaliação médica regularmente, para identificar possíveis fatores de risco e reduzir o aparecimento de futuras doenças cardíacas, entre outras complicações. A maioria das pessoas que tem a Síndrome Metabólica sente-se bem e não tem sintomas. Outra dificuldade é a adesão do paciente ao tratamento, principalmente no que se refere à mudança do estilo de vida. Desta forma, a atuação de uma equipe multidisciplinar é fundamental para o sucesso do tratamento. Dr. Cristiano Luiz Vacchi Brosco Vaz Médico Cardiologista CRM 107987

A falta de higiene bucal acaba resultando entre outras coisas o acúmulo de uma fina película que adere aos dentes, também chamadas de placas bacterianas, que terminam por se acumular nos sulcos gengivais e a sua persistência, por falta de higienização, evolui para uma inflamação dos tecidos envolvidos. A negligência na higienização cria um ambiente favorável ao desenvolvimento de um quadro clínico mais sério e de maior gravidade, pois o que era uma película de fácil remoção por meio de escovação dentária normal adquire caracteres de uma placa bacteriana alojada nos sulcos gengivais com afastamento dos tecidos e formação de bolsas periodontais. Nessa fase já se descarta a possibilidade de sucesso no tratamento por meio da escovação, pois as placas bacterianas somente serão removidas pelo Cirurgião Dentista com a utilização de instrumentos próprios, podendo ainda, causar sérios riscos à saúde pela inflamação, desenvolver a reabsorção óssea e a consequente perda da estabilidade nos elementos dentários envolvidos. A periodontite apresenta sintomas e sinais clínicos como o inchaço da gengiva, vermelhidão no tecido gengival do contorno dentário, exsudato, sangramento durante a escovação e utilização do fio dental. O mau hálito se faz presente de forma persistente e com frequência ocorre alteração no paladar. A instabilidade dentária resultante da periodontite cria dificuldades para a mastigação, os dentes parecem alongados e toques prematuros são referenciados, criando oportunidade para uma futura perda do elemento dentário envolvido. A periodontite, como fonte de bactérias, por vezes suficientemente agressivas pode em determinado momento, como durante a escovação ou mastigação, permitir que uma pequena quantidade penetre na corrente sanguínea e rapidamente ou de forma lenta e gradual desenvolva-se para uma endocardite bacteriana. As endocardites são afecções do endocárdio, camada interna do coração da qual fazem parte as válvulas cardíacas, onde se alojam podendo afetar as funções vitais. Podem ser infecciosas aguda quando se manifestam rapidamente ou subaguda quando diagnosticada após períodos mais longos. O seu tratamento exige longos períodos de internação e pode levar o paciente a óbito. ALDAMIR SALVATICO Cirurgião Dentista CROSP: 16243

A medicina integrativa, é uma visão moderna e complementar à medicina tradicional. Destina-se a prevenção e tratamento de patologias, de forma integrada e orientada a tratar o paciente em seu todo. Possui uma visão mais holística do ser humano, considerando os aspectos do estilo de vida, e suas várias dimensões, em equilíbrio entre as emoções, mente, corpo físico e o ambiente que nos rodeia, dando maior ênfase à saúde de forma global do indivíduo, do que somente a doença. Esse novo conceito, surgiu nos Estados Unidos nos anos 80, se espalhando pelo mundo, ganhando o status de especialidade em boa parte da Europa e América do Norte. Hoje, a Medicina Integrativa “Integrative Medicine” está presente em mais de 60 (sessenta) centros universitários acadêmicos americanos como: Harvard, Arizona, Massachusetts, Mayo Clinic, Cleveland Clinic, Califórnia, entre outras. Numa pesquisa rápida na PubMED, com a expressão “integrative medicine” aparecendo no título dos artigos, surgem 855 resultados, ou seja, 855 artigos científicos indexados, com a expressão “integrative medicine” no título. Quando se pesquisa “integrative medicine” em todos os campos de artigo científico, aparecem 27.796 artigos. As patologias mais prevalentes da atualidade, são as doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, hipertensão, depressão, asma, artrite, etc. Sabe-se hoje, que mais de 50% dos adultos apresentam pelo menos uma dessas doenças. O aumento da mortalidade, ou a diminuição da sua expectativa de vida, tem relação direta com elas. Os fatores de risco que levam a essas doenças, necessitam de acompanhamento multidisciplinar, através por profissionais médicos e não médicos, cuja abordagem seja centrada no paciente. A medicina integrativa, tem como aliado, o encaminhamento, quando indicado, para profissionais de outras áreas de saúde, que visam o mesmo bem comum do paciente em questão. Seja através de uma nutricionista, terapeuta holístico, acupunturista, fisioterapeuta, quiropraxista, psicoterapeuta, coaching em saúde e mudança do estilo de vida, educador físico, profissional de Yoga, etc... E por fim, o tempo adicional que o médico usa nas consultas de medicina integrativa é um elemento crucial para a satisfação positiva relacionada à atenção centrada e ao tratamento do paciente. Como já foi corroborado em inúmeros artigos publicados, a satisfação do paciente está altamente correlacionada com a duração da consulta médica. Dr. Victor Lamônica Otorrinolaringologista CRMSP n° 139.442

“Não deixe o cuidado com a saúde mental passar em branco.” O que é o Janeiro Branco? Janeiro Branco é uma campanha dedicada à conscientização sobre a importância da saúde mental. O mês de janeiro foi escolhido por simbolizar recomeços, novos planos e a possibilidade de escrever uma nova história assim como uma folha em branco. Trata-se de uma campanha que chama a atenção para um tema essencial, mas ainda cercado de preconceitos: a saúde mental. Em um mundo cada vez mais acelerado, cuidar da mente deixou de ser um luxo e passou a ser uma necessidade. Ansiedade, estresse, depressão e esgotamento emocional fazem parte da realidade de milhões de pessoas e impactam diretamente a qualidade de vida, os relacionamentos e o desempenho profissional. Ainda assim, falar sobre sofrimento emocional nem sempre é fácil. A saúde mental está relacionada à forma como lidamos com nossas emoções, desafios e frustrações do dia a dia. Quando negligenciada, pode desencadear problemas físicos, dificuldades sociais e até afastamento do trabalho. Por isso, o janeiro Branco propõe uma reflexão coletiva: como estamos cuidando de nós mesmos? Buscar ajuda psicológica, conversar abertamente sobre sentimentos e reconhecer os próprios limites são atitudes fundamentais para a prevenção de transtornos mentais. O autocuidado também envolve hábitos simples, como manter uma rotina equilibrada, dormir bem, praticar atividades físicas e reservar momentos de lazer e descanso. Mais do que um alerta pontual, o janeiro Branco reforça que a saúde mental deve ser prioridade durante todo o ano. Falar sobre o tema é um passo importante para quebrar tabus, promover empatia e construir uma sociedade emocionalmente mais saudável. Em 2026, o janeiro Branco propõe o tema “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental.” O mundo está exausto de pressões, urgências e silêncios. Precisamos recuperar o centro, reconstruir vínculos e resgatar a serenidade que sustenta a vida. Quando a mente encontra paz, tudo ao redor respira melhor inclusive nossas instituições, territórios e relações sociais, tão impactadas pelas urgentes necessidades psicossociais humanas. Em 2026, o janeiro Branco convida o mundo a desacelerar e a ressignificar a relação com a saúde mental. Cuidar da mente é um compromisso contínuo e todo recomeço é uma boa oportunidade para isso. Algumas dicas de como cuidar da saúde mental: Adote uma alimentação saudável; Invista na qualidade do sono; Faça terapia com um profissional; Pratique atividades físicas; Exercite o amor próprio. Tenha momentos de lazer; “Cuidar da mente é um ato de coragem.” Texto: Fernanda Tarcila Dragueti Cordeiro CRP: 06/153986. Formação: Especialista em Saúde Mental e atenção Psicossocial. Psicóloga clínica, utiliza a abordagem Teoria Cognitiva Comportamental (TCC)

O que é a hanseníase? É uma doença causada por uma bactéria que atinge principalmente a pele e os nervos, podendo causar manchas, dormência e, se não tratada, limitações físicas. Importante: a hanseníase tem cura e o tratamento é gratuito e disponível pelo SUS. Principais sinais e sintomas Manchas claras e ou placas avermelhadas ou escuras na pele, com alteração de sensibilidade ao calor, frio dor ou toque. Comprometimento dos nervos periféricos– geralmente espessamento (engrossamento), associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas; Áreas com diminuição dos pelos e do suor; Sensação de formigamento e/ou fisgadas, principalmente nas mãos e nos pés; Diminuição ou ausência da sensibilidade e/ou da força muscular na face, e/ou nas mãos e/ou nos pés; Caroços (nódulos) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos. Como ocorre a transmissão? A transmissão ocorre quando uma pessoa com hanseníase, na forma infectante da doença, sem tratamento, elimina o bacilo infectando outras pessoas suscetíveis, ou seja, com maior probabilidade de adoecer. A forma de eliminação do bacilo pelo doente são as vias aéreas superiores (por meio do espirro, tosse ou fala), e não pelos objetos utilizados pelo paciente. Também é necessário um contato próximo e prolongado. Os doentes com poucos bacilos – paucibacilares (PB) – não são considerados importantes fontes de transmissão da doença, devido à baixa carga bacilar. Não se transmite a hanseníase pelo abraço, compartilhamentos de pratos, talheres, roupas de cama e outros objetos. Já as pessoas com muitos bacilos – multibacilares (MB) – constituem o grupo contagiante, mantendo-se como fonte de infecção enquanto o tratamento específico não for iniciado. A hanseníase apresenta longo período de incubação, ou seja, o tempo em que os sinais e sintomas se manifestam desde a infecção. Geralmente, esse período dura em média de dois a sete anos; porém, há referências a períodos inferiores a dois e superiores a dez anos. Tratamento e cura O tratamento medicamentoso é realizado de 6 meses a 1 ano com a associação de três antimicrobianos - rifampicina, dapsona e clofazimina – a qual denominamos de Poliquimioterapia Única (PQT-U). Os medicamentos são seguros e eficazes. Ainda no início do tratamento, a doença deixa de ser transmitida. Familiares, colegas de trabalho e amigos, além de apoiar o tratamento, também devem ser examinados. Combater a hanseníase também é combater o preconceito A desinformação gera medo e discriminação. Pessoas em tratamento podem trabalhar, estudar e conviver normalmente. Informação é a melhor forma de cuidado e respeito. O diagnóstico precoce evita complicações e melhora a qualidade de vida. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure atendimento de saúde. Referência: Hanseníase — Ministério da Saúde



